A primeira a gente nunca esquece

Acabei de ler um ensaio sobre um livro que de tão simples parece ser interessante: ‘’primeiras vezes’’. A obra, que consiste de 80 textos das mais variadas personalidades, conta um pouco da primeira vez inesquecível de alguém. E não pense você que só se trata de sexo. Pelo contrário. A nossa ex garota de programa e escritora Bruna Surfistinha escreveu, segundo o jornalista, um texto sobre a primeira vez que deu autógrafo em uma bienal. Isso me fez pensar: qual primeira vez mais te marcou? Ou quais as primeiras vezes que ainda ficam na sua memória?

Entre as minhas estão:

-minha primeira demissão: na verdade não sei se posso considerar demissão, já que eu era estagiário. Mas lembro que foi horrível! Era véspera do meu aniversário e eu estava todo feliz por estar no terceiro período da faculdade de jornalismo e já estar estagiando em um veículo de comunicação de mídia impressa. Se não me engano, foi numa sexta feira. Tudo ocorreu perfeitamente, reunião de pauta e tudo. Logo depois uma funcionaria do RH chamou o meu amigo de classe e eu para uma conversa. Ai ela soltou a bomba, se justificando no fato de ainda estarmos muito inexperientes para o cargo. Meio em choque, reagi da melhor forma: fiquei quieto, agradeci a oportunidade e aceitei a promessa de que logo logo seria chamado para novamente compor o quadro de jornalistas. Já meu colega não fez o mesmo. Talvez ele tenha pensado mais rápido ou nem tenha pensado. Só sei que ele achou ruim, pois a nossa editora estava elogiando o nosso trabalho. Chamando o povo de falso, ele saiu de lá nervoso.Depois desse dia prometi a mim mesmo que essa situação iria se inverter e que ao invés de eu precisar deles, eu faria com que eles precisassem de mim. No final do quarto semestre fui chamado novamente para estagiar lá. Comecei no caderno de cidade. Em pouco tempo passei para o de economia no qual tive um dos melhores editores que já conheci. O cara me dava uma liberdade tão grande que fez com que meu texto e minha auto estima ficassem nas nuvens. Teve edições que fechava a primeira página do caderno de economia. Até o próprio pessoal do jornal me elogiava. Depois da demissão desse meu editor fui transferido para o caderno de política. Como o assunto nunca foi do meu agrado e a editora não era lá das melhores, acabei pedindo pra sair. E com a mesma funcionária do rh e na mesma sala eu vi meu pensamento se concretizando: ela pedia para que eu não saísse, me dando opções de mudança de caderno e tudo. Mas inflexivelmente eu saí de lá, sem ao menos ficar uma semana a mais até que encontrassem outro estagiário. Sai de cabeça erguida e feliz.

-meu primeiro dinheiro às custas do meu suor: na verdade eu nem suei. Eu era criança, tinha uns nove anos se não me engano. Meu tio pediu que eu lavasse o carro dele. Como recompensa, ele me daria 30 centavos. Depois de lavar o carro fui correndo com meu dinheiro na mão ao butiquim do sr. Zezim. Comprei uma tesoura bem simples de cabo verde claro transparente. Nem lembro se usei muito essa tesoura, mas a tenha até hoje guardada, com parte do metal enferrujado.
p.s.: parece ser mentira, mas naquela época estava em ascensão os produtos da china e o real era uma moeda forte. E a tesoura não era lá uma Brastemp...rs.

-minha primeira revista sobre moda: lembro que tinha acabado de sair do estagio no inss e passei por uma banca. A do rui se não me falha a memória. Ao ver a revista caras edição especial inverno 2008 fiquei curioso querendo comprar. Depois que comprei, sai folheando a revista no meio da rua. Nossa, me lembro como se fosse agora, a sensação maravilhosa que tive ao ver todas aquelas páginas recheadas de fotos de roupas e mais roupas que para mim, eram verdadeiras expressões de arte. Não sentia o chão enquanto folheava e o pensamento que tinha é que eu era a pessoa mais importante daquele momento por possuir em minhas mãos aquela revista. Me senti assim por um bom tempo. Depois disso comecei a comprar as revistas vigue Brasil, vogue passarela e a vogue homem, que tinha na capa da edição de dezembro o ator Wagner moura, na época famoso por ter interpretado o capitão nascimento do filme tropa de elite. Bons tempos aquele.

-minha primeira vez: essa divido em três partes. Parte um, foi na casa da minha mãe. Lembro que por algum motivo minha mãe não estava lá. Então fomos para lá já bem tarde da noite e ficamos por um bom tempo, morrendo de medo que alguém chegasse. ficamos no chão da sala. Essa foi inesquecível. Parte dois, foi na casa da pessoa. Foi na sala também, só que dessa vez foi no sofá. Na hora foi tudo muito rápido, mas a sensação de quero mais durante o caminho para casa foi boa. Parte três, foi no quarto dela. O mais engraçado é que não tinha porta, só uma cortina separando o quarto da sala, aonde estavam a mãe e o irmão. Também foi tudo muito rápido, mas quando fui embora parecia um bobo. Estava com um sorriso na cara que dava até vergonha. A primeira coisa que fiz foi mandar uma mensagem para um amigo falando que a saga tinha terminado. Bem macho...rs.


e você, qual fato lhe marcou mais?

1 comentários:

Caroll . disse...

não me esqueço do meu primeiro porre. Jogar água em pessoas que não conhecemos não é legal... mas realmente foi engraçado.

essa é minha lembrança mais memorável. As primeiras vezes tem esse poder né? ficam marcadas por piores que possam ser.

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