Desde que fiquei sabendo da historia da torre de babel sempre me pergunto: como os povos conseguem se comunicar hoje?
Sei que fui criado na igreja e tudo mas ate hoje não sei ao certo se realmente tentaram criar uma torre que chegasse até a D-us. Pelo menos não me foi apresentado isso na bíblia. Mas já que como castigo o Criador acabou colocando cada um falando uma língua diferente para que houvesse confusão entre eles, como esse povo, ao longo dos anos e séculos conseguiu entender um ao outro?
Nem sei se isso é resultado de muito trabalho ou muito estudo ou dos dois juntos. Pois imagine você agora lá na Rússia? Serio. Apesar de todo esse jogo de corpo que o brasileiro tem, como você falaria para uma atendente de livraria que gostaria de um livro de ficção cientifica? Ou melhor, como você faria para pedir a uma moça que trabalha em uma papelaria uma folha de cartolina sem poder mostrar a folha? Ta vendo, são coisas banais mas que me faz ficar pensando sempre quando desço o morro que antecede a passarela que separa o bairro vila rica do bairro que é próximo ao meu.
E sabe o que me motivou a escrever este post? O fato de uma pessoa não poder ter comentado em meu blog pois não achou a tecla para escrever o underline na hora de preencher o email. Como um sinal deste aqui _ pode separar ou ate mesmo abortar o pensamento entre duas pessoas? (e o pior, imagine você pedindo orientação ao dono de uma lan house na Rússia sobre como escrever o underline...rs).
Pois é, esse negocio de língua é engraçado. Teclado de computador também, pois obviamente o dispositivo muda suas teclas de acordo com cada nacionalidade. Da Espanha e outros países de língua espanhola, por exemplo, temos a opção do ponto de interrogação de ponta cabeça. Na Alemanha temo o u com trema. No Brasil temos o c cedilha. E nos demais países que não tive nenhum contato com a língua ou com um computador vindo de lá creio que vários outros detalhes fazem parte do teclado (nem tente imaginar o @ no teclado japonês. Se eu não tivesse decorado aonde fica o nosso, nunca iria mandar um email pela máquina da terra dos yamamotos e yoshiros...rs).
E é um saco mesmo essa coisa de teclado de outro país. Talvez não para eles, pois como a tecnologia e economia são um pouco mais avançados que o nosso, acaba que muitos não compram ou não ganham computadores de outros países. Já no Brasil, mais exatamente em Valadares city, o que mais ocorre é isso. E o trem é tão comum que na duvida em achar aonda fica o ponto de interrogação no teclado da terra do tio sam o que não falta é comunidades e debates na Internet explicando como fazer. Ate tutorial com todas as teclas tem (pra quem ainda na sabe, pra fazer o interrogação em um teclado de computador que veio dos Estados Unidos ou de língua inglesa mas que foi formatado para o português, basta aperta as teclas...ixi, esqueci..rs...acho que é crtl + w + v).
Que dificuldade, não? É um porre esse trem de outras culturas interferindo na nossa. Claro que tem coisa que eu gosto nessa miscelânea toda. Ainda mais as coisas que são trazidas para a cultura jovem brasileira através dos seriados nortes americanos. Gossip girl então pra mim é um dos melhores formador de opinião. Claro que pra toda regra há uma bruta de uma exceção. Em gossip por exemplo o efeito colateral é um bando de adolescente sem noção tentando vestir e se encaixar no que é comum lá. E as que se dizem mais autenticas ainda buscam piorar a coisa botando o dedinho de Midas nela e alterando um pouco o look dito como casual. Sangue de obama tem poder mas vocês não fazem noção do quanto ridículo pode ser isso.
Eu previno meus olhos de coisas do tipo, evitando ir em estréias de filmes água com açúcar e dentinhos de vampiros que muitos adolescentes e até marmanjos velhos gostam. Mas mesmo assim ainda vemos verdadeiros porcos lançados as pérolas no meio da rua. Sim, pois a moda e a tendência é boa. Ruim são os que erradamente os seguem.
Ontem mesmo andando com minha namorada comentei com ela, logo após ter visto um exemplo, de como colete não é pra todo mundo. Ela concordou ao ver o exemplo visto por mim. Depois vimos uma pessoa que ficariam muito bem de colete mas que não parecia nem ligar pra moda. E depois, para a nossa redenção vimos uma pessoa que tanto combina como usou um colete perfeito. Esse treco é muito perigoso.
Lendo isso me pergunto: será que essas pessoas não conseguiram entender realmente a língua do outro? Será que eles ainda estão em uma torre de babel com um underline cortando esta linha tênue que é o bom senso ao se vestir?
Interessante isso, pois nos leva a pensar que as vezes, se formos olhar para esse lado da língua, muitos conflitos são causados por falta de entendimento da língua do próximo. E ai língua deixa de ser apenas um instrumento de entendimento entre pessoas e se transforma em um pensamento comum. A partir do momento que eu brigo com alguém eu deixo de querer ter uma só língua e começo a ter a minha língua, defendendo o meu pensamento.
Talvez o homem não conseguiu desfazer o que foi feito por D-us. Ainda somos separados por várias línguas. Somos uma multidão em uma torre chamada mundo falando variadas línguas e muitas vezes a defendendo com o sangue. Quer seja ele vermelho ou cor de petróleo.
E se viajarmos mais um pouco na maionese podemos até associar a característica de cada língua com a personalidade dos que a falam. As línguas latinas são mais rebuscadas, possuem mais detalhes e até exclusivas na forma de expressar um sentimento que só tem aqui: a saudade. O que faz com que sejamos visto pelos outros como um povo quente, acolhedor, sensual...caliente. O inglês é mais seco, direto e sem rodeios. E os americanos são assim: não defendem suas idéias com o corpo como fazemos por aqui, eles são mais do argumento, da palavra. E só porque a língua deles é a considerada a universal eles se acham os donos do mundo.
O francês eu considero como uma língua mais sussurrada, mais cantinho do ouvido ou ate mesmo mais intelectual. E sem duvida o povo francês é inteligente sim. Meu sonho é ir pra lá. O alemão tem tanta regra assim como o próprio nativo da Alemanha. Quando durante a faculdade tentei me aventurar na arte de aprender a língua da Bavária, ouvi tantos casos que me desmotivou ainda mais sobre lá. Pra mim regras não são as coisas mais legais do mundo. Já o italiano é a língua cantada do povo que a canta gritando. Pavarotti que o diga!
Mas tento cada um tempero essencial para a convivência em harmonia, por que não junta lãs todas? Por que não criar um só pensamento, uma só língua?
E qual seria essa língua? A sua mesmo. No momento em que respeitamos a língua do outro e a entendemos, nos fazemos sensíveis ao que nos rodeia e nos fazemos fortes e responsáveis ao ponto de continuar com a nossa língua mas sem invadir a língua do outro. Sacou? É mais ou menos aquela idéia central que vinha sempre naquelas estorinhas contadas quando éramos criança com o intuito de nos fazer pessoas melhores quando grandes.
Nada de língua universal. Por que entre duas pessoas deveria ter uma terceira língua para que se conectassem? Por que as duas não podem se entender com as suas próprias línguas?
É algo a se pensar neste final de ano quando comemoramos uma data comercial trazida por outras culturas. E o pior, já parou pra pensar por que dos pinheiros no Brasil? Por que não enfeitamos um pé de pau-brasil, araucária, castanha do pará, ipê ou até mesmo de eucalipto que se assemelha bem com o pé de pinheiro? Fiquei me questionando isso enquanto andava pelo centro.
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